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quarta-feira 24 maio 2017
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‘vamos Nos Adaptar’, Dizem Montadoras, à Espera De Trump

Expectativa para governo Trump virou assunto no Salão de Detroit 2017 (Foto: Bill Pugliano/AFP)

A política divide atenção com os carros no Salão de Detroit, o primeiro do ano e que acontece justamente na cidade-berço das montadoras americanas.

O presidente eleito Donald Trump só toma posse no próximo dia 20, mas seus tuítes com ameaças de começar a cobrar “imposto alto” de carros importados do México deixaram um clima de incerteza entre as marcas.

Ao G1, executivos que participam do evento falam em tom cauteloso sobre o futuro governo: a mensagem geral é de que não está claro se haverá mudanças no acordo de livre comércio. Mas as montadoras dizem que vão se adaptar a qualquer que seja a política de Trump.

Somos muito adaptáveis. O que for decidido, a marca vai cumprir”Ken Kcomt, da Nissan

“No momento, nós não temos ideia do que vai acontecer, sobre o que a nova administração vai fazer”, diz Mark Gillies, gerente de comunicação de produtos da Volkswagen na América do Norte. “Vamos trabalhar com qualquer administração que vier.”

“A Nissan quer trabalhar com qualquer administração. Somos muito adaptáveis. O que for decidido, a marca vai cumprir”, afirma Ken Kcomt, diretor de planejamento de produto.

Recado virtualEleito apoiado em promessas como a criação de empregos nos EUA, Trump ameaçou no Twitter cobrar “imposto alto” da GM, pela importação do Chevrolet Cruze hatch, e da Toyota, pela intenção de fabricar o Corolla naquele país. Atualmente, carros produzidos lá são vendidos sem cobrança de imposto de importação no mercado americano.

“É muito cedo para falar qual será o resultado, quais serão os impactos com o que ele (Trump) gostaria de mudar e o quanto realmente vai mudar”, afirma Dietmar Voggenreiter, membro do conselho para vendas e marketing da Audi, que acaba de inaugurar uma unidade no México.

Por que o México?O México é o maior produtor de veículos da América Latina, mas o volume não se compara ao da indústria norte-americana (veja acima).

A maior parte dos veículos mexicanos é destinada à exportação e o mercado americano, o 2º maior do mundo para carros, é o maior cliente. Em 2016, 77% dos 3,47 milhões de veículos produzidos no México foram vendidos nos EUA.

Brasil voltou atrás no livre comércio de carros com o México em 2012, para frear importações

Graças a acordos de livre comércio com mais de 40 países e à retomada da economia americana após a crise, o México viveu um “boom” de fábricas de carros nos últimos anos.

Basicamente todas as grandes montadoras produzem lá. Em 2014, o país tirou do Brasil o título de maior fabricante de veículos da América Latina.

Também um cliente da indústria mexicana, o Brasil voltou atrás no acordo de livre comércio de carros com aquele país em 2012, quando passou a limitar o número de veículos que podem ser trazidos de lá porque esse volume só crescia. A restrição foi renovada em 2015 por mais 4 anos.

GM pede trabalho em conjunto“Trabalhamos com a situação atual, mas, se houver alguma mudança, que seja trabalhada em conjunto”, diz Santiago Chamorro, ex-presidente da General Motors do Brasil e que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente de Global Connected Customer Experience na sede da empresa, em Detroit.

Se houver alguma mudança, que seja trabalhada em conjunto”Santiago Chamorro, da General Motors

“Quando Trump deu a declaração no Twitter sobre o Cruze vindo do México, esclarecemos a situação rapidamente”, completou.

A GM divulgou um comunicado afirmando que são poucas as unidades do Cruze que são trazidas do México -todas da versão hatchback.

O grosso das vendas do modelo nos EUA, na carroceria sedã, é produzido localmente.

A presidente-executiva da montadora, Mary Barra, é um dos nomes no grupo de executivos convocados por Trump para discutir o ações para a criação de empregos no país. O fundador da Tesla, Elon Musk, notório apoiador de Hillary Clinton na campanha eleitoral, também está na lista.

“Estamos felizes que a Mary Barra faz parte do conselho formado por Trump e estamos preparados para trabalhar com quem precisar”, completou Chamorro.

Presidente-executiva da GM, Mary Barra, foi chamada por Trump para ser consultora para criação de empregos nos EUA (Foto: Rebecca Cook/Reuters)

Investimentos alardeadosMesmo cautelosas quanto ao que será do futuro governo, as montadoras se apressaram em divulgar o quanto têm investido nos EUA.

A Ford causou surpresa ao anunciar, há duas semanas, que desistiu de abrir uma nova fábrica no México, onde já produz modelos como o Fiesta.

A montadora afirmou que não tomou a decisão por causa de críticas de Trump, mas para dar “um voto de confiança” à economia americana. No mesmo anúncio, informou que investirá US$ 700 milhões na unidade de Michigan, nos EUA.

A Fiat Chrysler (FCA) também divulgou que vai colocar mais US$ 1 bilhão no país, para produzir novos modelos Jeep e gerar mais 2 vagas de emprego.

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A associação das montadoras alemãs, formada por Volkswagen, Audi, Mercedes-Benz e BMW, entre outras, disse no Salão de Detroit que essas marcas quadruplicaram sua produção nos EUA, com 850 mil veículos manufaturados em 2016. No México, elas fabricaram 425 mil.

Globalização não tem voltaMesmo assim, as fabricantes reforçam a necessidade de continuarem como empresas globais, produzindo veículos em diversos países, inclusive para exportação.

Além do México, os EUA recebem carros vindos da China, do Japão, do Canadá e até do Brasil, caso do BMW X1.

Tudo é uma questão de custo. “Se elas tornarem a produção no México pouco econômica, teremos de desistir“, afirmou Sergio Marchionne, presidente-executivo da Fiat Chrysler, a jornalistas, em Detroit.

Donald Trump fez ameaça à Toyota por intenção de fazer nova fabrica no  México (Foto: Reprodução/Twitter)