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domingo 25 junho 2017
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‘seguro Popular’ X Tradicional: Compare E Entenda Diferenças

Veículo guinchado em Santos, SP (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

O chamado “Seguro Auto Popular” ainda engatinha: criado em abril de 2016, como uma opção mais barata para carros mais velhos, ele passou por mudanças para chegar ao mercado, mas ainda está disponível em poucas seguradoras e apenas nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Só duas empresas ofereciam esse produto no início deste ano (Azul, do grupo Porto Seguro, e Tokio Marine), e o valor que o cliente pagava para contratá-lo (o chamado prêmio) era 26% menor, em média, do que o do seguro tradicional, conforme levantamento da corretora Bidu.

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A corretora não informou os valores de cada seguradora, mas citou exemplos.

O seguro tradicional de um Volkswagen Gol ficaria em R$ 1.816,86, para determinado perfil; no “Auto Popular”, o valor cai para R$ 1.266,59 ou 30% menos, que era a previsão da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para essa modalidade de seguro.

O preço do seguro (prêmio) pode variar muito porque os dois produtos têm características diferentes com relação a cobertura, indenizações, danos a terceiros, assistência e na forma de pagamento, sempre dependendo das escolhas do consumidor.

Restrições e franquia maiorMas o “Auto Popular” atualmente não é oferecido sem restrições: as duas empresas limitaram os modelos de veículos que se enquadram nessa modalidade; uma delas também determina uma idade mínima dos carros. A regulamentação do “seguro popular” não impõe restrições, mas permite que as seguradoras o façam.

Outro ponto é que a franquia desse seguro, isto é, o valor com o qual o cliente arca em caso de acidente, era 30% mais cara que a do seguro tradicional, em média, também de acordo com a corretora.

Ou seja, com o “seguro popular” é preciso tomar mais cuidado para não se envolver em batidas, porque pagar o valor alto da franquia pode anular a economia feita na contratação.  Saiba mais sobre prêmio e franquia no Guia Prático do G1

O G1 lista abaixo as principais diferenças entre o “Seguro Auto Popular” e o tradicional nas duas empresas que atualmente oferecem ambos.

EXEMPLO 1 (Azul Seguros):

Exemplo 2 (Tokio Marine):

RestriçõesPor enquanto, as limitações restringem bastante o público que pode adquirir o “seguro popular”. Na Azul, por exemplo, só são permitidos carros de 5 anos ou mais, com valor máximo de R$ 60 mil, e que estão dentro de uma lista de 40 modelos mais vendidos, que inclui de Palio, Gol e Uno, até Civic e Corolla, entrou outros.

– Uma das seguradoras só aceita carros com 5 anos ou mais no ‘seguro popular’;– Ambas as empresas restringem os modelos de veículos; – Lei não impõe esses limites, mas permite que seguradoras o façam

A Tokio Marine não estabeleceu limite de idade, mas aceita apenas 12 modelos populares: Gol, Voyage, Fox, Celta, Corsa, Corsa Sedan, Uno, Palio, Fiesta, Ka, Clio e Sprinter (caminhão ou van).

“Escolhemos esses veículos por serem os mais bem atendidos pelo chamado mercado de peças alternativas nesse momento”, afirmou Marcelo Goldman, diretor executivo de produtos massificados da Tokio Marine.

No “seguro popular”, as empresas não precisam usar “peças genéricas” novas ou de reposição usadas, vindas de desmanches credenciados, exceto para reparos em itens de segurança. A opção de uso destas peças deve ser sempre estar clara para o segurado.

Foco nos ‘velhinhos’Atualmente circulam cerca de 60 milhões de veículos no país, mas apenas 17,5 milhões estão segurados, cerca de 30% da frota. A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) espera que, em 5 anos, o “seguro popular” seja responsável por expandir a frota coberta em 10%.

No ‘seguro popular’, conserto pode usar peças usadas, redondicionadas ou ‘genéricas’ -mas não para consertar itens de segurança, como freios e suspensão

Para isso, o foco é em veículos mais velhos, que ficam caros para serem segurados por causa da falta de peças originais.

“Um dos fatores que mais eleva os preços dos seguros tradicionais é a obrigatoriedade de utilização de peças novas nos consertos – itens proporcionalmente caros quando se fala em modelos mais antigos”, afirmou Goldman.

Diferente dos seguros tradicionais, no “popular” é permitido fazer o conserto com peças usadas ou recondicionadas, vindas de empresas de desmontagem credenciadas, conforme a lei 12.977, que regulamentou os desmontes de veículos em todo o país em 2014.

A Susep liberou também o uso de peças “genéricas”, nas mesmas especificações das originais. Só não pode recorrrer a peça usada ou independente em consertos que envolvem itens de segurança, como o sistema de freios, suspensão e cintos de segurança.

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Expansão previstaA Tokio Marine lançou o produto no final de dezembro e tem expectativa de que ele alcance cerca de 200 mil clientes nos próximos 3 anos, o que representaria 15% da carteira de veículos da empresa.

Segundo a Tokio, o valor médio do “Seguro Auto Popular” deve ficar em torno de R$ 1,5 mil. Ela oferece o produto em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas deve chegar a Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba nos próximos meses.

A Azul não divulgou os números de contratações feitas desde o lançamento, em 19 de dezembro, mas afirmou que a resposta foi boa. “Podemos dizer que estamos contentes com a aceitação e a grande procura que estamos tendo”, afirmou a empresa.

“É como quando lançam um modelo novo de carro. As seguradoras acabam precificando o produto por aproximação, mas, com o tempo, conseguem definir melhor o preço. Vai acontecer parecido com o auto popular. Vão ver como o mercado responde e fazer as alterações necessárias”, explicou Marcella Ewerton, coordenadora de marketing da corretora Bidu.