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segunda-feira 24 julho 2017
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Nenhum Robô Vai Dirigir Uma Ferrari, Diz ‘chefão’ Da Marca Italiana

Sergio Marchionne, CEO do grupo Fiat Chrysler e da Ferrari (Foto: Divulgação)

Sergio Marchionne, o atual presidente da FiatChrysler (FCA), é o maior arauto da necessidade de transformação da indústria automotiva mundial. Sempre direto ao ponto, ele fala sobre o futuro incerto do setor como quem troca de marchas, é um movimento natural e simples, ágil nas conexões para evitar trancos no percurso.

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Diferente de outros executivos de alto escalão, Marchionne não tem medo de fazer previsões e também de admitir que estava errado. Mas seus últimos anos foram mais de acertos do que erros, por isto, sua opinião é tão respeitada. Então, quando ele fala que os carros que dirigem sozinhos são inevitáveis, é melhor ir aceitando a ideia.

Para consolar os apaixonados por carros, executivo acredita que a tecnologia autônoma não eliminará o prazer de dirigir. “Nenhum robô vai dirigir uma Ferrari”, afirmou Marchionne, que também é CEO da marca italiana de superesportivos, separada do grupo Fiat Chrysler em 2015.

Ferrari GTC4Lusso T (Foto: Divulgação) + DE AUTOESPORTESiga o programa nas redes sociais

“Em várias situações você não quer dirigir, como no trânsito. Há melhores formas de usar o tempo, e a máquina vai fazer o mesmo trabalho, até melhor. E não estamos tão longe. Em 2020 e 2021 já serão comuns nas ruas”, disse ele em Recife (PE), onde acompanhou o lançamento mundial da nova geração do Jeep Compass.

No primeiro trimestre de 2017, a Fiat Chrysler deve colocar nas ruas dos Estados Unidos os primeiros frutos de uma parceria com a Alphabet, dona do Google, um dos pioneiros em acreditar num futuro cheio de robô-táxis, o que mexeu com as grandes montadoras.

“Precisamos se manter abertos para oportunidade deste calibre. A indústria automotiva vai mudar drasticamente, então precisamos estar prontos para colaborar com pessoas que não são tradicionalmente do setor”, disse, já pensando em uma futura ampliação da parceria com a gigante de tecnologia.

Etanol > EletricidadeAlém dos modelos sem volantes e pedais, outra grande transformação deve ocorrer nos próximos 5 anos. E será embaixo do capô. De acordo com Marchionne, a “eletrificação” também é inevitável, mas ele aposta em propulsores híbridos, não em carros 100% movidos a eletricidade, que continuarão com uma pequena parcela.

Uma solução ainda melhor para reduzir o impacto ambiental é velha conhecida dos brasileiros. Segundo o executivo, os motores bicombustíveis, que podem rodar com etanol ou gasolina, deveriam ser mais valorizados. “É a solução com o menor custo para reduzir as emissões de poluentes.”

Planta da Jeep em Goinana (PE) (Foto: Katherine Coutinho / G1)

Uma década perdidaA Fiat Chrysler decidiu investir bilhões em uma fábrica supermoderna em Goiana (PE), quando o mercado brasileiro era um dos mais promissores. Quatro anos depois, as vendas passaram a despencar, voltando a níveis de 2006, mas o investimento foi mantido, e a cidade pernambucana é responsável por produzir os modelos globais JeepRenegade e Compass, além da picape Fiat Toro.

“Eu tive a sorte de estar envolvido na crise de 2008 nos EUA. Se você perguntasse na época, se ia se recuperar, não encontraríamos muitos otimistas. Sete anos depois, o mercado está recuperado totalmente nos EUA. Precisamos ter paciência com o Brasil”, afirmou.

“A virada deve começar no segundo para o terceiro trimestre do ano que vem, mas é pura conjectura minha. De qualquer forma, vai demorar para vermos níveis (de vendas) de 2012.”

Jeep Compass Trailhawk (Foto: Divulgação)

Exportar é fundamental Para o executivo, a retomada para a indústria automotiva no Brasil exige uma aliança com a Argentina para fortalecer a exportação dos dois países dentro da América Latina e também para mercados como Europa e Estados Unidos.

“Nos EUA, as vendas subiram, mas a capacidade de produção encolheu. É uma oportunidade. É preciso se abrir para o mundo, se não o Brasil e a Argentina vão pagar um preço caro”, afirmou Marchionne, que vê os modelos feitos em Goiana no mesmo nível dos europeus ou americanos.

O novo Compass, por exemplo, será feito primeiro no Brasil, depois no México, na China e na Índia. “O maior mercado para o segmento C-SUV, do Compass, é a Europa. E lá não tem fábrica para ele. Então há chances de exportar sim”, afirmou.