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segunda-feira 24 julho 2017
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Japão Defende Toyota E Indústria Automotiva Após Ataque De Trump

O governo japonês saiu nesta sexta-feira (6) em defesa da Toyota e de sua indústria automotiva depois que o presidente eleito Donald Trump ameaçou a empresa com taxas alfandegárias se construir uma fábrica no México, e não nos Estados Unidos.

“A indústria automotiva japonesa tem 1,5 milhão de trabalhadores nos Estados Unidos e é uma contribuição importante para a economia americana”, disse o ministro do Comércio, Hiroshige Seko, em uma coletiva de imprensa.

“É importante que as empresas digam isso e o governo também tem que lembrar, se for necessário”, acrescentou.

Na última quinta (5), a 15 dias da posse, Trump atacou um tuíte o projeto do grupo japonês de construir uma nova fábrica no México.

“A Toyota Motors diz que quer construir uma nova fábrica na Baixa Califórnia, México, para fabricar carros Corolla para os Estados Unidos. SEM CHANCE! Que construa a fábrica nos Estados Unidos ou pague um grande imposto na fronteira”, escreveu.

Donald Trump fez ameaça à Toyota porque montadora tem planos de construir nova fábrica no México(Foto: Reprodução/Twitter)

A Toyota tem uma fábrica na Baixa Califórnia, onde fabrica caminhonetes Tacoma, mas Trump escreveu erroneamente que a nova fábrica também seria neste estado, quando na realidade está sendo erguida em Guanajuato.

Ações em quedaNesta sexta, as ações da montadora chegaram a perder mais de 3% na bolsa de Tóquio e fecharam em queda de -1,68%, a 6.930 ienes.

O porta-voz do governo do Japão, Yoshihide Suga, também falou em defesa da montadora. “A Toyota sempre se esforçou para se comportar como uma empresa responsável nos Estados Unidos”, disse, garantindo que o presidente eleito “é um homem de negócios que trabalhou no exterior e deveria saber disso”.

A fabricante lembrou os números de sua atividade nos EUA, com 25 milhões de veículos produzidos no país nos últimos 30 anos, 10 fábricas e 136.000 trabalhadores. “A Toyota forma parte do tecido social americano há 60 anos”, disse a companhia em um comunicado.

Toda a indústria na miraAntes da ameaça de Trump, o conselheiro delegado da Toyota, Akio Toyoda, já havia insistido na contribuição da companhia aos EUA através dos impostos e da criação de postos de trabalho.

A Toyota também diz ser o construtor que menos carros “made in México” exporta aos Estados Unidos, com apenas 78.000 Tacoma vendidos em 2015.

O México é o 4º exportador de veículos leves do mundo e o 7º produtor mundial de automóveis, segundo números da indústria. Este setor, que gera US$ 52 bilhões por ano, representa mais de 875.000 empregos diretos em todo o país, segundo o Ministério da Economia mexicano.

Os EUA e o Canadá têm um tratado de livre comércio com aquele país; o acordo tem sido muito criticado pelo futuro presidente.

Ainda nesta semana, a Ford anunciou o cancelamento dos planos de contruir uma nova fábrica no México, dizendo que iria investir mais na unidade de Flat Rock, no estado de Michigan, dando um “voto de confiança” na economia americana.

Trump postou ameaça à GM por importar o Cruze do México (Foto: Reprodução/Twitter)

“Somos pragmáticos, nós nos adaptaremos às novas regras sem importar a situação, com a condição de que sejam as mesmas regras para todos”, disse o presidente mundial da Renault Nissan, Carlos Ghosn, em coletiva de imprensa na última quinta-feira, na maior feira de tecnologia do mundo, a CES, em Las Vegas.

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A Nissan é um dos construtores com mais implantação no México. No total, produz 830 mil veículos por ano naquele país, entre eles os modelos Sentra e Versa, exportados para o mercado americano.

Ghosn lembrou que a montadora tem sua maior fábrica em Tennessee (Estados Unidos), onde são produzidos 650 mil carros por ano, e que o total de sua produção nos EUA é de cerca de 1 milhão de unidades, com 22 mil empregos diretos.