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sexta-feira 23 junho 2017
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Ex-fornecedor Avisou Gm Sobre Risco Em Airbag Da Takata, Diz Jornal

Inflador de um airbag da Takata retirado de um carro da Honda, em 2015 (Foto: Joe Skipper/Reuters)

Ex-funcionários de uma antiga fornecedora da General Motors dizem que a montadora passou a comprar airbags da Takata porque eram mais baratos. Esses equipamentos passaram a ser conhecidos como “airbags mortais” porque podem explodir e atirar pedaços de peça metálica contra os ocupantes: há 14 mortes ligadas à falha no exterior.

 RISCO EM AIRBAGMaior recall da história

O caso de tornou o maior recall da história da indústria automobilística, envolvendo, inclusive, veículos no Brasil.

Uma reportagem do jornal “New York Times” apontou que a empresa sueco/americana Autoliv se recusou a produzir airbags para a GM com o mesmo custo que os da Takata, nos anos 90, por constatar o perigo de um composto usado pela empresa japonesa para deflagrar o equipamento.

A GM tinha sido procurada pela Takata que, até então, era uma pequena empresa que começou produzindo cintos de segurança e tinha expandido o negócio para airbags.

Pressão pelo preço“A GM nos disse que iria comprar airbags da Takata a menos que produzíssemos um mais barato”, disse Linda Rink, especialista da Autoliv, fornecedora da montadora na época, ao “NYT”.

A GM nos disse que iria comprar airbags da Takata a menos que produzíssemos um mais barato”Linda Rink, da Autoliv, ex-fornecedora da GM

Segundo ela, a empresa japonesa oferecia um produto que custava 30% a menos.

“Apenas respondemos: não dá. Não vamos usar isso”, disse Robert Taylor, que chefiou o departamento quimico da Autoliv até 2010. A fornecedora acabou preterida.

Desde os anos 90, a Takata cresceu e se tornou uma das maiores fabricantes de airbags do mundo, tendo não só a GM como cliente, mas as principais montadoras, daí a extensão do recall, que já envolveu mais de 30 milhões de veículos no mundo todo.

Ferimentos como facadasO defeito nos airbags da Takata só veio à tona em 2013. No ano passado, uma investigação encomendada pelas montadoras descobriu que o nitrato de amônio, em contato com umidade, trinca a peça metálica que insufla o airbag. A bolsa acaba abrindo com muita força, estilhaça a peça e atira os pedaços contra os ocupantes do veículo. Os ferimentos são semelhantes a facadas.

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Procurada pelo “NYT”, a montadora americana informou que, como as conversar com a Takata ocorreram na ” velha” GM -antes do grupo pedir proteção de falência, em 2009, e reabrir como nova empresa- não é apropriado comentar o que ocorreu na época.

A reportagem destaca que, apesar do escândalo, a Takata continua vendendo airbags com nitrato de amônio, mas passou a usar um produto que impede o contato com a umidade.

Diversas montadoras continuam equipando seus carros com esses equipamentos: por isso, nos Estados Unidos, elas serão obrigadas a trocar esses airbags até 2020.