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terça-feira 30 maio 2017
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Ducati Multistrada 950: Primeiras Impressões

A Ducati vai lançar a inédita Multistrada 950 no Brasil apenas no 2º semestre de 2017 e a moto será estrela da marca no Salão Duas Rodas deste ano. Mas a empresa já tem grandes ambições para o modelo, com características aventureiras e foco no asfalto, e acredita que ele tem potencial para ser a sua moto mais vendida no mercado brasileiro.

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O lançamento mundial ocorreu em Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, na Espanha, onde o G1 teve as primeiras impressões. Ainda sem preço definido para o Brasil, a Multistrada 950 deve concorrer com aventureiras top de linha de 800 cc de outras marcas, como a F 800 GS Adventure e a Triumph Tiger 800 XCx. Ao menos, esta é a expectativa da empresa.

Este segmento das aventureiras vem crescendo no mundo todo e em ampla faixa de cilindrada. Recentemente, a BMW lançou a G 310 GS, enquanto a Kawasaki revelou a Versys-X 300 e a Suzuki a V-Strom 250.Mas a Multistrada 950 é diferente por não ser uma aventureira legítima e ter mais potência que as rivais, lembrando mais um “SUV de duas rodas”. Enquanto F 800 GS e Tiger 800 têm grandes pretensões off-road, a Ducati tenta fazer o seu melhor no asfalto, mas também sem ter medo da terra.Para ser competitiva, a Multistrada teria que vir com um preço de R$ 55 mil ou inferior a isso, visto que as concorrentes estão abaixo desta faixa. Além disso, tem que chegar com uma ampla diferença em relação à Multistrada 1200, que tem preços começando em R$ 71.900, para ter sua razão de existência.

 

Mais acessívelMesmo com motor menor que o da Multistrada 1200, não é possível dizer que a Multistrada 950 é uma moto pequena. Ela ainda está na alta cilindrada, mas tem uma pilotagem mais acessível que sua “irmã” maior.

Logo ao sair com a 950 pelas estradas de Fuerteventura foi possível notar um motor agradável em baixas rotações, ao contrário da 1200, que “pede mais gasolina” nessas situações.

Ducati Multistrada 950 tem posição de pilotagem agradável (Foto: Divulgação)

A moto tem um pacote eletrônico com 4 modos de potência (Urban, Enduro, Touring e Sport), controle de tração em 8 níveis e 3 modos para o ABS.Este tipo de rodagem “pediu” a opção Urban, que faz a potência máxima ser reduzida a 75 cavalos. Isso deixa o motor ainda mais na mão e fácil de controlar, mas é claro, sem esbanjar vigor.Já nos primeiros minutos também ficou claro que a ergonomia é confortável, deixando os braços bem relaxados. As pernas ficam um pouco mais flexionadas do que em uma aventureira tradicional, indo mais para um lado “naked”, mas sem se tornar desconfortável.

Nesta parte mais urbana do roteiro de 200 km, as suspensões se mostraram firmes, mas não a ponto de causar desconforto. Uma série de regulagens também permite que fiquem mais macias ou rígidas, mexer na pré-carga, caso vá levar garupa ou bagagem.

Ducati Multistrada 950 (Foto: Divulgação)

Confortável e esportivaNa parte seguinte da viagem pela ilha, rodovias longas e retas mostraram que a moto é uma boa opção para quem quer fazer uma longa viagem. A bolha dianteira, regulável, e as carenagens que envolvem o tanque dão uma boa proteção aerodinâmica.E o motor mostra fôlego suficiente para manter velocidade de cruzeiro, mesmo em subidas, sem muito esforço.Mas foi no trecho seguinte, cortando as montanhas de Tesejerague, que a Multistrada 950 mostrou suas melhores qualidades. Subidas, descidas e muitas curvas foram perfeitos para sentir o vigor do motor de 113 cavalos. Nesse caso, a escolha do modo Sport, onde toda a potência é descarregada e de forma mais contundente, foi a melhor opção.

Ducati Multistrada 950 possui painel digital (Foto: Divulgação)

Acima dos 6.000 rpm o motor dá uma “estilingada” e a moto apresenta toda a sua esportividade. Um detalhe interessante é a baixa vibração que chega ao motociclista, além de um som agradável e metalizado.Nas curvas, mesmo as suspensões mais longas que a de uma “naked” não atrapalham e garantem estabilidade.Um trunfo em relação à 1200 é a roda de 19 polegadas na dianteira, que permite trocas de direção mais rápidas – a Multistrada 1200 utiliza de 17 polegadas. Ela também ajuda em trechos esburacados, apesar de o asfalto ser perfeito em todo o percurso.Mas os paralelepípedos da cidade histórica de Betancuria, antiga capital de Fuerteventura, ajudaram a provar isto. Essa configuração mostra melhor adaptação para rodar na terra também.

Ducati Multistrada 950 tem visual “antigo” da Multistrada 1200 (Foto: Divulgação)

‘Frankenstein’ que deu certoApesar de ser inédita, a Multistrada 950 utiliza elementos de vários outros modelos da empresa. Nome, estilo e visual vêm da sua “irmã maior”, a Multistrada 1200, que também deu a ela o chassi. O motor é originário da linha Hypermotard, mas recebeu sistema de escape diferenciado.Para completar, balança e pneus são os mesmos da Multistrada Enduro. Apesar de a princípio isso parecer um “Frankenstein”, o resultado é o oposto: tudo está muito bem encaixado.O modelo não é arisco e desconfortável como as Hypermotards, nem tem a brutalidade excessiva encontrada na Multistrada 1200. Como a própria marca afirmou no lançamento, a ideia foi criar uma moto que ponderasse o racional com a tradicional esportividade.Além disso, amplia o alcance da linha da marca, com uma moto de proposta aventureira para o asfalto de menor cilindrada, devido a sua pilotagem mais fácil em comparação com a 1200.Talvez a Multistrada 950 seja a Ducati mais racional da história. Mais essa razão vai depender – e muito – do preço.

Ducati Multistrada 950 faz curvas bem (Foto: Divulgação)