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quinta-feira 27 julho 2017
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Após Mudanças Nas Regras, ‘seguro Auto Popular’ Vai Virar Realidade

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Seguro popular tem como foco carros com mais de 5 anos de uso (Foto: Alexandre Sá/EPTV)

 

O Seguro Auto Popular está regulamentado desde abril, mas deve chegar aos consumidores apenas em dezembro, após mudanças nas regras. A primeira a oferecer o produto será a Azul, que faz parte do grupo Porto Seguro, por enquanto apenas na região metropolitana de São Paulo. 

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A modalidade pode ser até 30% mais barata que a tradicional, dependendo das escolhas feitas pelo interessado. Outras empresas também se preparam para entrar no segmento, segundo o presidente da FenSeg, João Francisco Borges.

O preço menor é possível, em parte, por causa do uso de peças provenientes de desmanche ou “genéricas” feitas nas mesmas especificações das originais, com exceção de reparos nos freios, suspensão, amortecedores, pneus e outros itens de segurança.

Apenas veículos com 5 anos ou mais poderão adquirir o seguro auto popular. Esta não é uma regra da Superintendência de Seguros Privados (Susep), no entanto, as próprias seguradoras colocarão esse limite de idade, em uma espécie de auto-regulamentação, de acordo com Borges.

De acordo com Felipe Milagres, diretor da Azul Seguros, o limite de 5 anos foi uma escolha da empresa – outra poderão colocar outras barreiras -, mas para menos de 3 anos, o seguro auto popular fica inviável. “Existe uma lei de patente que não permite a venda de peças ‘genéricas’ com menos de 3 anos”, afirmou.

Além disso, pelo menos com a Azul, o valor máximo do carro será de R$ 60 mil e ele deve estar dentro de uma lista de 40 modelos populares (ainda não divulgada), que incluem Palio, Gol e UNo, até Civic e Corolla, entrou outros. A cobertura é básica para colisão, roubo e furto, com indenização de 80% a 90% da Tabela Fipe.

O Seguro Auto Popular da Azul também oferece assistência 24 horas e guincho (até 100 km). O interessado pode ainda adquirir coberturas de responsabilidade civil facultativa e por danos morais e estéticos. A proteção poderá ser paga em até 10 vezes, ou com 5% de desconto a vista.

O valor varia de acordo com as escolhas do consumidor. Para chegar a 30%, ele deverá aceitar o uso de peças usadas ou “genéricas”, e também fazer os reparos apenas nas oficinas indicadas. Neste primeiro momento, 10 pontos já estão preparados para o auto popular, segundo a Azul.

De acordo com a empresa, o produto já está pronto, mas ainda é preciso esperar a autorização da Susep para iniciar as vendas, o que deve acontecer em cerca de 2 semanas. Depois da experiência em São Paulo, a Azul pretende expandir a oferta para outras regiões.

“No início, o auto popular vai ajudar a reter um segmento que a medida que o carro vai envelhecendo ele desiste de fazer o seguro, porque o preço fica muito caro. Mas em 5 anos, estimamos um incremento de 10% na frota segurada por meio deste produto”, estimou Borges.

Mudanças nas regrasEm abril, as regras editadas pela Susep exigiam que as seguradoras usassem apenas peças originais usadas ou seminovas vindas de desmanches regularizados nos reparos, com o conhecimento do cliente, entre outras determinações que deveriam baratear o custo.

Mas as seguradoras não gostaram das regras, porque elas não davam o subsídio necessário para reduzir os valores. Também não havia um mercado de peças usadas sufiiciente, por isto, as seguradoras pediram a liberação do uso de peças de fabricação independente, o que foi feito por meio de circular de 30 de setembro.

Conheça abaixo mais sobre o “seguro popular” e quais pontos geram discussão.

O que é o Seguro Auto Popular?Regulamentado em abril, ele é a segunda tentativa de criar um seguro mais barato de veículos no Brasil, com objetivo de ampliar o número de proprietários cobertos.

De acordo com a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg), atualmente circulam cerca de 60 milhões de veículos no país, mas apenas 17,5 milhões estão segurados, cerca de 30% da frota.

Em 2005, a Susep já tinha feito uma tentativa de “seguro popular”, mas ela despertou pouco interesse. A regra permitia apólices com indenização integral por valor determinado na hora da contratação, sem garantias para colisões (apenas para furto ou roubo), e a contratação de cobertura apenas para danos materiais a terceiros.

Como é a nova regra?Em vez de retirar as coberturas para baratear o valor do seguro, a nova edição tenta aliviar os custos na parte dos consertos e peças de reposição.

Diferente dos seguros tradicionais, no “popular” é permitido fazer o conserto com peças usadas ou recondicionadas, vindas de empresas de desmontagem credenciadas, conforme a lei 12.977, que regulamentou os desmontes de veículos em todo o país em 2014.

Em setembro, a Susep liberou também o uso de peças “genéricas”, nas mesmas especificações das originais. Só não pode recorrrer a peça usada ou independente em consertos que envolvem itens de segurança, como o sistema de freios, suspensão e cintos de segurança.

Além disso, a cobertura mínima deverá ter indenização por danos causados ao veículo por colisão, mas deve incluir também danos parciais. Não serão permitidos pacotes apenas com indenização integral.

Assim como no modelo de 2005, é possível escolher uma indenização por valor determinado, ou seja, um número estipulado na hora do contrato. Mas também pode ser oferecida a modalidade mais comum nos seguros normais, que é o valor de mercado, por exemplo a Tabela Fipe.

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De acordo com o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, a recente regulamentação dos desmanches ainda não criou um mercado grande o suficiente para atender à demanda das seguradoras.

Ou seja, apenas com itens usados, o conserto demoraria muito por falta de peça. Por isso, as seguradoras pediram o uso de peças independentes, sem a marca das montadoras.São peças geralmente feitas pelo mesmo fabricante que vende para as montadoras, mas que vão direto para o ‘aftermarket’ (mercado de reposição). 

O problema é que algumas montadoras não permitem a comercialização das peças “genéricas”, o que está sendo motivo de julgamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Volkswagen, Fiat e Ford foram acusadas de conduta anticompetitiva por impedir a venda de peças de reposição produzidas por fabricantes independentes. Elas alegam que têm propriedade industrial dos desenhos.

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Para baratear as apólices, as seguradoras podem exigir que os proprietários façam os reparos apenas em oficinas “parceiras”, não mais com liberdade de escolha e reembolso posterior.

Segundo Coriolano, isto permite que as empresas negociem descontos com as oficinas. “É como o seguro saúde. O médico cobra um valor menor porque ele ganha um volume maior de consultas”, afirmou o presidente da CNSeg. 

A Susep diz que não mudará as normas em relação às oficinas, mas que caberá a cada seguradora determinar os critérios do seguro que quiser oferecer.

Idade do carroAntes da edição das novas regras, a CNSeg já pedia para que o “seguro popular” pudesse ser contratado apenas para carros com mais de 5 anos de uso. Isto porque muitas montadoras já dão garantia para as principais peças por até 5 anos. Mas a regulamentação do seguro popular não restringiu a idade do veículo.

“Se quero um seguro segmentado, ele tem que ser diferente daquilo que já existe. Precisa focar em quem não tem mais garantia das peças originais”, afirmou Coriolano. No entanto, esta questão não é unanimidade nem entre as seguradoras.Para estimular a concorrência, a Susep não deve restringir a idade dos veículos para o “seguro popular”, mas isso poderá ser feito pelas próprias sugoradoras.

Cuidado para não se enganarRodolpho Gurgel, CEO da corretora online Bidu, alerta que algumas empresas pegaram outros produtos e passaram a chamar de seguro “popular”, mas eles não estão dentro das definições da Susep.

“Alguma corretora pode chamar um seguro não compreensivo de ‘popular’, mas não é a mesma coisa. Ele cobre roubo, furto e perda total. Somos pressionados, os clientes perguntam por que a gente não tem. Aí temos explicar que ele não existe ainda”, afirmou.

 

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